Análise de manchas de sangue: como se leem os padrões
A análise de salpicos de sangue, ou análise de padrões de manchas de sangue, lê o tamanho, a forma e a posição das manchas para perceber de onde veio o sangue, o que o pôs em movimento e por que ordem.
A análise de padrões de manchas de sangue classifica as manchas em passivas, de transferência e salpicos, e usa a sua forma e posição para reconstituir um acontecimento com derramamento de sangue.
O ângulo de impacto de um salpico é o arco-seno da sua largura dividida pelo seu comprimento; as manchas de um mesmo acontecimento convergem para a área onde estava a fonte de sangue.
No maior estudo de tipo caixa negra da área (75 analistas, 192 padrões), 11,2 % das respostas dos analistas sobre amostras de causa conhecida estavam erradas. O método vale o que valem as medições em que assenta.
Um scan 3D mantém mensuráveis as formas e as posições das manchas depois de a cena ser limpa, para que a análise possa ser verificada e repetida.
A análise de salpicos de sangue é o exame das manchas de sangue de uma cena para reconstituir o que lá aconteceu: onde estava uma pessoa a sangrar ou uma fonte de sangue, que força atuou sobre o sangue, como as pessoas se deslocaram e por que ordem os factos ocorreram. Os especialistas chamam-lhe análise de padrões de manchas de sangue (BPA, na sigla inglesa), porque os salpicos são apenas um dos padrões que interpretam.
Este guia explica os tipos de padrões, a física que lhes dá forma, o cálculo do ângulo de impacto e da área de origem, a documentação dos padrões e o peso que as conclusões podem suportar.
O que é a análise de salpicos de sangue?
A análise de salpicos de sangue, ou análise de padrões de manchas de sangue, é uma disciplina forense que examina o tamanho, a forma, a distribuição e a localização das manchas de sangue para inferir os acontecimentos que as produziram. Trata cada mancha como o fim de um processo físico (uma gota que caiu, foi projetada ou foi transferida) e raciocina da mancha para esse processo.
A partir de um padrão bem documentado, um analista consegue muitas vezes estabelecer:
onde estava a fonte de sangue e, aproximadamente, a que altura do chão
o mecanismo: um gotejamento, uma pancada, um disparo, uma artéria cortada ou sangue expirado
a direção em que uma pessoa ou um objeto se deslocou e, por vezes, a que velocidade
um número mínimo de golpes desferidos com uma arma ensanguentada
se um corpo ou um objeto foi deslocado depois do derramamento de sangue
a ordem dos acontecimentos, quando um padrão se sobrepõe a outro
O que não consegue dizer é de quem é o sangue. Isso cabe à análise de ADN. As duas trabalham em conjunto, e um padrão é documentado antes de ser recolhida uma amostra, porque a zaragatoa o altera.
Salpicos ou manchas de sangue?
Na linguagem do dia a dia fala-se de salpicos de sangue; os especialistas falam de manchas e de análise de padrões de manchas de sangue. Num relatório, a palavra salpico fica reservada às manchas de gotas que uma força projetou pelo ar. Uma gota que caiu pelo próprio peso, ou um esborratado numa parede, é uma mancha de sangue, mas não um salpico.
Como o sangue se comporta ao sair do corpo
Todos os padrões resultam de algumas propriedades físicas do sangue. O sangue tem cerca de 55 % de plasma, com glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas em suspensão, e comporta-se como um fluido não newtoniano reofluidificante: quanto mais depressa é obrigado a mover-se, mais facilmente flui. Em voo, a tensão superficial dá à gota a forma de uma esfera. As gotas reais não têm a forma de lágrima dos desenhos animados.
O que acontece no impacto depende sobretudo de duas coisas: o ângulo com que a gota chega e a superfície em que cai. Uma gota que atinge uma superfície lisa e dura a 90° deixa uma mancha quase circular; quanto menor o ângulo, mais longa a elipse. Uma superfície rugosa ou absorvente, como alcatifa, madeira em bruto ou algodão, desfaz o bordo da gota em espículas e manchas satélite a quase qualquer ângulo. É por isso que a própria superfície faz parte da prova.
Numa única mancha, os analistas leem quatro elementos:
Mancha principal: a elipse deixada pela própria gota. A sua largura e o seu comprimento dão o ângulo de impacto.
Espículas: pontas curtas no bordo da frente, mais marcadas do lado para onde a gota viajava.
Manchas satélite: pequenas gotas que se soltaram no impacto e caíram para lá da mancha principal.
Cauda: a extremidade afunilada que aponta no sentido do movimento. Fica de fora quando se mede o comprimento.
O tamanho da gota diz menos do que parece. A força, o volume de sangue disponível e a superfície alteram-no, e essa é uma das razões por que foram abandonadas as antigas categorias de velocidade, descritas mais abaixo.
As três famílias de padrões de manchas de sangue
Os analistas classificam as manchas pelo mecanismo que as produziu. Um esquema muito ensinado tem três famílias: manchas passivas, de transferência e salpicos. A classificação de Stuart James, Paul Kish e Paulette Sutton inclui as manchas de transferência entre as passivas e acrescenta as manchas alteradas, ou seja, as que mudaram depois de se formarem. A terminologia do AAFS Standards Board, o ASB Technical Report 033, define cada padrão.
PassivasGravidade
TransferênciaContacto
SalpicosProjeção
Forma-se por
Sangue que cai ou escorre pelo próprio peso
Uma superfície ensanguentada que toca outra
Gotas projetadas pelo ar por uma força
Padrões típicos
Gotas, rastos de gotas, escorrimentos, poças
Arrastamentos e impressões de mãos, calçado ou tecido
Salpicos de impacto e de disparo, projeções por arremesso, arteriais, expirados
O que pode mostrar
Onde uma fonte esteve ou se deslocou; se um corpo foi deslocado
O que tocou em quê, e em que direção se moveu
O mecanismo, a área de origem, um número mínimo de golpes
As manchas alteradas (coaguladas, secas, diluídas, perturbadas ou limpas) e as zonas de vazio podem surgir em qualquer família.
Manchas passivas: gotas, escorrimentos e poças
As manchas passivas formam-se apenas por ação da gravidade. Uma mancha de gota é uma única gota que caiu; um rasto de gotas é uma série delas deixada por uma fonte em movimento, e o espaçamento sugere a velocidade, com gotas próximas a indicar um movimento lento. Um escorrimento é sangue que corre sobre uma superfície. Um escorrimento que sobe a inclinação na posição em que um corpo foi encontrado mostra que o corpo foi deslocado. Uma poça forma-se onde uma fonte fica parada tempo suficiente para o sangue se acumular, e marca muitas vezes o local onde a vítima acabou.
Manchas de transferência: arrastamentos e limpezas
Uma mancha de transferência forma-se quando uma superfície ensanguentada toca outra. Um arrastamento (swipe) leva sangue para uma superfície limpa, como quando uma mão ensanguentada é passada numa parede. Uma limpeza (wipe) é o contrário: algo atravessa sangue que já lá estava e altera-o, e é por isso que a terminologia da ASB classifica a limpeza como mancha alterada e não como transferência. O bordo esfiado de um arrastamento costuma afinar no sentido do movimento. As transferências com desenho, como uma sola, uma palma ou a trama de uma manga, podem ser comparadas com o objeto que as produziu.
Salpicos: impacto, arremesso, arteriais e expirados
Os salpicos são sangue que viajou pelo ar em gotas, e agrupam-se segundo o que os pôs em movimento:
Salpicos de impacto: uma força atinge sangue líquido, como uma pancada numa ferida que sangra. As gotas irradiam do ponto de impacto, e é isso que torna calculável uma área de origem.
Salpicos de disparo: os salpicos para trás (back spatter) saem do orifício de entrada em direção à arma; os salpicos para a frente (forward spatter) saem com o projétil por um orifício de saída. Os salpicos para a frente têm normalmente mais gotas do que os salpicos para trás, e ambos podem incluir uma névoa fina; ambos passam facilmente despercebidos, e as gotas mais finas podem ser confundidas com sangue expirado. Situá-los faz parte da reconstituição de cenas de tiroteio.
Projeções por arremesso (cast-off): sangue lançado por um objeto ensanguentado quando é brandido, em geral como rastos lineares no teto ou numa parede. A primeira pancada normalmente não encontra sangue exposto, pelo que raramente deixa projeções por arremesso; por isso, o número de rastos mais um é uma estimativa habitual, embora contestada, do número mínimo de golpes. Um padrão de paragem (cessation pattern, muitas vezes chamado cessation cast-off) forma-se quando um objeto brandido para de forma brusca.
Padrão arterial: sangue bombeado de uma artéria lesionada, em arcos ou ziguezagues que sobem e descem ao ritmo do coração. Mostra que a pessoa estava viva quando o padrão se formou.
Salpicos expirados: sangue expelido ao respirar, tossir ou espirrar pelo nariz, pela boca ou por uma ferida das vias respiratórias. São normalmente finos e podem conter minúsculas bolhas de ar, que os distinguem de salpicos de impacto de tamanho semelhante.
Manchas alteradas e zonas de vazio
O sangue muda depois de cair. Coagula em minutos, seca do bordo para dentro, escurece do vermelho para o castanho e pode ser diluído, espalhado ou limpo. O analista lê essas mudanças como tempo e atividade: sangue coagulado por baixo de gotas frescas significa que a hemorragia continuou; manchas diluídas apontam para água ou limpeza. O sangue limpo raramente desaparece por completo. O luminol, que reage com o ferro da hemoglobina, faz brilhar no escuro vestígios ténues.
Uma zona de vazio é uma falha num padrão de resto contínuo, onde uma pessoa ou um objeto estava entre a fonte e a superfície. Uma zona de vazio sem nada lá dentro indica que algo foi deslocado, e o objeto, se for encontrado, tem as manchas correspondentes.
Porque já não se fala de salpicos de «baixa, média e alta velocidade»
Os manuais antigos classificam os salpicos pela velocidade: manchas de baixa velocidade com 4 mm ou mais, de gotejamento; de média velocidade, de 1 a 4 mm, de pancadas; e de alta velocidade, abaixo de 1 mm, de disparos, com a velocidade da pancada sobre a fonte de sangue estimada em até 1,5 m/s, de 1,5 a 7,5 m/s e 30 m/s ou mais.
O esquema foi abandonado porque confunde a causa com o tamanho. A velocidade descrevia a pancada que atingia a fonte de sangue, não a velocidade das gotas; uma mesma pancada pode projetar gotas de todos os tamanhos; e uma tosse produz uma névoa tão fina como a de um disparo. Classificar uma mancha como «de alta velocidade» implicava, portanto, um disparo onde o padrão não o podia demonstrar, o tipo de excesso por detrás de vários casos contestados. A terminologia atual indica o mecanismo que os vestígios sustentam, ou descreve simplesmente a mancha.
Como calcular o ângulo de impacto
O ângulo de impacto é o ângulo entre a trajetória de uma gota e a superfície que atingiu, e resulta diretamente da forma da mancha: o seno do ângulo é igual à largura da mancha dividida pelo seu comprimento.
Ângulo de impacto = arcsen (largura ÷ comprimento)
Escolha uma mancha bem formada, com uma elipse nítida, e não uma deformada por uma superfície rugosa ou por uma segunda gota.
Meça a largura no ponto mais largo e o comprimento ao longo do eixo maior, sem a cauda.
Divida a largura pelo comprimento e calcule o arco-seno.
Para uma mancha com 4,0 mm de largura e 8,0 mm de comprimento, largura ÷ comprimento = 0,50, e arcsen 0,50 = 30°. Uma mancha redonda, em que a largura é igual ao comprimento, dá 90°: a gota caiu na vertical.
Os pequenos erros de medição contam. Ler esses 4 mm de largura como 4,1 mm leva o ângulo a quase 31°, e numa mancha com 2 mm de largura e 4 mm de comprimento os mesmos 0,1 mm deslocam-no quase 2°. Esses graus acumulam-se quando dezenas de manchas são projetadas para trás até uma origem. Por isso os analistas medem muitas manchas, ajustam elipses em vez de as avaliar a olho e medem na superfície e não numa fotografia tirada de viés.
O eixo maior da mancha indica também a sua direção na superfície, a chamada direcionalidade, e a cauda mostra em que sentido desse eixo a gota se deslocava.
Ângulo de impacto = arcsen (largura ÷ comprimento). Uma mancha de 4,0 × 8,0 mm dá 30°.
Descobrir de onde veio o sangue
As manchas de um mesmo impacto irradiam de uma única fonte, pelo que a sua geometria pode ser percorrida para trás. São dois passos: primeiro a área de convergência na superfície, depois a área de origem no compartimento.
Área de convergência: prolongue para trás o eixo maior de cada mancha sobre a superfície. As linhas encontram-se numa pequena zona, que é onde estava a fonte em planta, em duas dimensões.
Área de origem: suba a partir dessa zona segundo o ângulo de impacto de cada mancha. A altura é a distância da mancha à convergência multiplicada pela tangente do seu ângulo: h = d × tan α.
Uma mancha a 80 cm da área de convergência, que atingiu o chão a 30°, coloca a fonte a cerca de 80 × tan 30° ≈ 46 cm do chão: perto do chão, muito abaixo da cabeça de uma pessoa de pé. Repetir o cálculo para muitas manchas transforma o ponto numa área, e é essa área que se indica no relatório.
Os eixos maiores encontram-se na área de convergência; os ângulos de impacto elevam-na até à área de origem.
Três métodos fazem este trabalho:
Método dos fios: um fio a partir de cada mancha segundo o seu ângulo de impacto, esticado para trás até os fios se cruzarem. É físico e fácil de mostrar, mas lento, e termina quando os fios são retirados.
O método da tangente: a mesma geometria, calculada mancha a mancha.
Software: programas como HemoSpat, BackTrack e FARO Zone 3D calculam a área de origem a partir das manchas medidas, com base em fotografias ou num modelo 3D da cena.
Os três tratam as trajetórias como linhas retas. As gotas reais caem por ação da gravidade e abrandam no ar, pelo que chegam mais inclinadas do que partiram, e os métodos retilíneos tendem a colocar a origem mais acima do que estava. É por isso que a área de origem é indicada como um intervalo, e medições melhores das manchas permitem, com honestidade, um intervalo mais estreito.
Como se documenta um padrão de manchas de sangue
Uma análise não pode ser melhor do que o registo da cena, e a maior parte do trabalho acontece antes de alguém interpretar seja o que for. Uma sequência típica:
Fotografias gerais e um registo da cena antes de se tocar em qualquer coisa; depois, fotografias a média distância e de pormenor de cada padrão.
Uma escala em cada fotografia de pormenor, colocada no plano da mancha, com a câmara perpendicular à superfície.
Identificação e medição: as manchas de interesse são numeradas, muitas vezes em relação a uma grelha ou a uma linha de referência colada na superfície, e para cada uma regista-se a posição, a largura, o comprimento e a direção.
Recolha de amostras para ADN, só depois de o padrão estar totalmente documentado.
Medição do próprio compartimento, para que cada mancha possa ser situada em três dimensões.
Cada passo tem uma fraqueza conhecida. Uma fotografia achata a superfície e deforma precisamente a razão entre largura e comprimento de que o ângulo depende, e uma escala corrige a ampliação, mas não uma câmara desviada alguns graus. Medir manchas à mão é lento, e depois de a cena ser liberada e limpa, já nada do que escapou pode voltar a ser medido.
Foi isso que o scan 3D mudou. Um scan regista a forma de cada mancha juntamente com a superfície onde está e coloca-a num modelo medido do compartimento, de modo que o ângulo de impacto e a área de origem podem ser recalculados mais tarde, pelo mesmo analista, por um revisor ou pelo perito da outra parte. A digitalização 3D para a análise de padrões de manchas de sangue explica o método em pormenor, e a mesma captura serve a reconstituição 3D da cena do crime.
Fita métrica e fotografiasCada mancha à mão
Método dos fiosFios no compartimento
Scan 3DManchas e compartimento num único modelo
Tempo na cena
Longo: cada mancha medida no local
Horas para um padrão grande
Minutos de captura por zona
Novamente mensurável após a libertação
Apenas a partir das fotografias
Não: os fios são retirados
Sim: o scan é o registo
Área de origem
Calculada à parte
Físico e aproximado
Calculada no modelo, a qualquer momento
O que chega ao tribunal
Fotografias e uma tabela de medidas
Fotografias dos fios
Um modelo 3D mensurável
Os tempos dependem do tamanho do padrão e da cena; o que muda é a ordem de grandeza.
Usado para isto na prática
Artec Spider II
Um escâner portátil de luz estruturada que regista em conjunto a mancha e a superfície por baixo, para que a largura e o comprimento sejam medidos na superfície real e não numa fotografia achatada, sem que nada toque na mancha. Combinado com um scan em cúpula do compartimento feito com o Artec Ray II, cada padrão fica num único sistema de coordenadas.
A análise de salpicos de sangue não foi desacreditada, mas os seus limites estão documentados e são mais amplos do que a televisão sugere. A física de como as gotas se formam, voam e embatem é bem conhecida. O ponto fraco é a interpretação humana de padrões complexos.
O relatório da National Academy of Sciences de 2009 concluiu que as incertezas da análise de padrões de manchas de sangue são enormes e que muitas opiniões de peritos eram mais subjetivas do que científicas. Em 2021, um estudo de caixa-preta financiado pelo NIJ testou 75 analistas em atividade com 192 padrões escolhidos para representar casos reais. Nas amostras de causa conhecida, 11,2 % das respostas estavam erradas, e no conjunto do estudo 7,8 % das respostas contradiziam as de outros analistas, embora o consenso do grupo raramente errasse.
Os autores verificaram que diferenças semânticas, analistas a usar os mesmos termos para coisas diferentes, contribuíram para os erros a par de interpretações verdadeiramente contraditórias, e pediram melhores normas de terminologia e classificação. Os outros problemas recorrentes são documentação escassa, padrões ambíguos com poucas manchas e o contexto: um analista que conhece a teoria dos investigadores tem mais tendência a vê-la.
Em Inglaterra e no País de Gales, o Forensic Science Regulator publica orientações sobre a análise de padrões de manchas de sangue ao abrigo do seu Code of Practice. Nos EUA, a disciplina respondeu com normas de consenso do AAFS Standards Board:
ASB Technical Report 033: termos e definições (2017)
ANSI/ASB Standard 030: programas de garantia da qualidade (2019)
ANSI/ASB Standard 072: validação de procedimentos (2019)
ANSI/ASB Standard 031: redação de relatórios (2020)
ANSI/ASB Standard 032: programas de formação (2020)
O que torna uma conclusão defensável é igual em todo o lado: medições que qualquer pessoa pode verificar, um método documentado e uma opinião que não afirma mais do que o padrão mostra. Um registo que permita à outra parte voltar a medir as manchas faz parte disso; consulte prova 3D em tribunal.
Quem faz a análise de padrões de manchas de sangue?
Os analistas de padrões de manchas de sangue são geralmente técnicos de cena do crime ou cientistas forenses que acrescentaram esta especialidade, e não uma profissão à parte. Trabalham em equipas policiais de inspeção judiciária, laboratórios de polícia científica, institutos de medicina legal e na prática privada, onde muitos atuam como peritos de uma ou de outra parte.
A formação começa normalmente com um curso básico de 40 horas sobre tipos de padrões e cálculos de ângulo e de origem, seguido de cursos avançados e casos supervisionados. A International Association for Identification (IAI) oferece a certificação Bloodstain Pattern Analyst, a International Association of Bloodstain Pattern Analysts (IABPA) é a principal associação profissional e a ANSI/ASB Standard 032 define o que um programa de formação deve abranger.
A versão televisiva, com Dexter Morgan a ler um crime inteiro numa única parede, comprime dias de medição e revisão num olhar. O trabalho real é sobretudo documentação cuidadosa, cálculo e relatórios escritos para resistir a um contrainterrogatório.
Breve história da análise de padrões de manchas de sangue
1895: Eduard Piotrowski, médico de Cracóvia a trabalhar no Instituto de Medicina Legal de Viena, publica o primeiro estudo sistemático das manchas de sangue resultantes de pancadas na cabeça.
1955: Paul Kirk examina a cena e as manchas de sangue do caso do homicídio de Sam Sheppard, um marco inicial da disciplina.
1971: Herbert MacDonell publica Flight Characteristics and Stain Patterns of Human Blood; em 1973 dá o primeiro curso formal sobre manchas de sangue.
1983: é fundada a International Association of Bloodstain Pattern Analysts.
2009: o relatório da National Academy of Sciences põe em causa os fundamentos científicos da disciplina.
De 2017 a 2020: o AAFS Standards Board publica terminologia e normas de consenso norte-americanas para a área, com base na terminologia anterior do SWGSTAIN.
2021: o maior estudo de tipo caixa negra da área mede com que frequência as conclusões dos analistas estão erradas.
Mantenha as manchas mensuráveis muito depois de a cena ser liberada. Marque uma demonstração da documentação 3D de manchas de sangue.
A análise de salpicos de sangue é ciência a sério ou foi desacreditada?
É uma disciplina real com limites documentados. A física de como as gotas se formam e embatem nas superfícies está bem estabelecida; os erros surgem na interpretação de padrões complexos: no maior estudo de tipo caixa negra da área, cerca de 11 % das respostas sobre amostras de causa conhecida estavam erradas. Os tribunais continuam a admiti-la, cada vez com mais atenção ao método e à documentação do analista.
Quais são os principais tipos de padrões de manchas de sangue?
As manchas passivas, formadas pela gravidade (gotas, escorrimentos, poças); as de transferência, formadas por contacto (arrastamentos, impressões); e os salpicos, formados por gotas projetadas pelo ar (impacto, arremesso, arteriais, expirados). As manchas alteradas, incluindo as limpezas (wipe), e as zonas de vazio formam outro grupo.
Qual é a diferença entre um arrastamento e uma limpeza?
Um arrastamento (swipe) leva sangue para uma superfície limpa: um objeto ensanguentado move-se sobre ela. Uma limpeza (wipe) altera sangue que já lá estava: um objeto atravessa uma mancha existente. A terminologia padrão classifica a limpeza como mancha alterada.
O que mostra uma projeção por arremesso?
Que um objeto ensanguentado foi brandido, normalmente uma arma ao ganhar balanço. Os rastos mostram a direção e o plano do movimento, e o seu número mais um é uma estimativa habitual, embora contestada, do número mínimo de golpes: a primeira pancada normalmente não encontra sangue exposto, mas uma que abra um vaso de grande calibre pode ensanguentar a arma de imediato.
As manchas de sangue podem mostrar se uma vítima estava viva?
Por vezes. Um padrão arterial precisa de um coração a bater e o sangue expirado precisa de respiração, por isso qualquer um deles mostra que a pessoa estava viva quando se formou. As manchas passivas e a maior parte das de transferência não o permitem dizer.
Marque uma demonstração da documentação 3D de manchas de sangue
Diga-nos em que superfícies ficam os seus padrões, de paredes pintadas e papel de parede a alcatifas e interiores de veículos, e veja como um scan regista as manchas e o que pode medir depois.